Filhos bonitos têm muitos pais

Giuseppe Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

sábado, 05 de agosto de 2017

Para pensar:

“Um toque de sonhar sozinho te leva em qualquer direção.”

Luiz Melodia

Para refletir:

“Envergonhe-se de morrer até que você tenha alcançado uma vitória para a humanidade.”

Jürgen Habermas

Ruído

A quinta-feira, 3, começou sob a ressaca, especialmente nas redes sociais, da votação na Câmara dos Deputados que barrou o encaminhamento da denúncia contra o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal, ao menos durante o exercício de seu mandato.

A julgar pelo teor das manifestações e por diversas sondagens de opinião, parece haver, neste momento, uma sensível diferença entre a voz do povo e a voz de seus representantes legítimos, colocando o sistema democrático brasileiro numa condição de ineficácia.

Passado o impacto inicial, parece crucial entender por que isso acontece.

Representatividade

A ideia do sistema democrático é muito boa.

A evolução tecnológica tem permitido muitos progressos, mas a via da representação parte do princípio que (ainda) seria inviável consultar toda a população a respeito de todos os temas, numa base semanal e com a necessária segurança.

Assim, a população deveria ser livre para eleger seus representantes, pessoas cujo perfil se enquadre no pensar e nas demandas de parcela específica da população, assumindo-se que seus votos, naturalmente, irão refletir quase sempre os interesses de quem o elegeu.

Procuração

Deste modo, quando o cidadão escolhe um candidato, dá a ele ou ela uma procuração para que fale por si ao longo dos próximos quatro anos (ou oito, no caso dos senadores).

No mundo ideal, este sistema asseguraria que todos tivessem uma fração mínima de representação no Congresso, tendo seus principais interesses levados em conta na tomada de decisões nas três esferas.

Mas é claro que não vivemos num mundo ideal.

Tesouro desprezado

Enquanto muita gente desiludida escorre para votos brancos ou nulos, deixar de votar ou se dispõe a negociar o voto em troca de favores, existem muitos lobos dispostos a investir pesado na compra desta mesma representatividade que tantas vezes desprezamos.

Ponto central

Porque, no fim, é disso que se trata: da compra de representatividade, a fim de corromper o sistema democrático de modo a ter vozes suficientes para que o governo trabalhe para si, legalmente, através da postura de parlamentares que compraram os votos que os elegeram, apenas para revendê-los a quem, na maioria das vezes, já havia financiado suas campanhas.

Desenhando (1)

Nesse sentido, a frase recente de Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, ao dizer que “a agenda da Câmara é a agenda do mercado” é paradigmática, e expõe a situação com clareza solar.

Desenhando (2)

O que pouca gente se dá conta, no entanto, é que aqui embaixo o valor que se paga por um voto é certamente muito menor do que seria devido ou repassado a cada cidadão se tivéssemos uma administração absolutamente proba e devotada aos interesses comuns.

Da mesma forma como a compra de um parlamentar custa menos do que repassar tudo que seria devido a todos que ele representa.

Afinal, se não saísse barato, não haveria ninguém querendo comprar.

Mau negócio

Quer dizer: se a ética e a consciência não bastam para fazer cessar o comércio de votos, então a consciência de que o que está sendo vendido a preço de banana é a administração dos recursos que todos nós disponibilizamos a custo muito maior deveria fazê-lo, por mais desesperador que seja chegar a este extremo de argumentação.

Em português claro, vender voto não é apenas um ato do mais profundo egoísmo.

É também uma demonstração de pouca inteligência.

Fez a força

A experiência nos mostra que filhos bonitos sempre têm muitos pais.

No caso da renovação dos incentivos fiscais à indústria têxtil fluminense, no entanto, a frase acaba se aplicando verdadeiramente, e o sucesso do empreendimento se deu justamente como resultado desta união pelos motivos certos.

A matéria que A VOZ DA SERRA publicou a este respeito na edição de sexta-feira, 4, é para ser lida e relida por todos, muitas vezes.

Complemento

Pouco após o fechamento, contudo, o colunista recebeu um áudio do ex-prefeito e atual superintendente regional do Inea, Rogério Cabral, que foi coautor da lei recém-prorrogada, nos tempos em que era deputado estadual.

A título de complemento, a coluna registra a essência de sua declaração.

Aspas

“É um momento de muita alegria para mim, e para todos aqueles ligados à indústria têxtil de nosso estado. Como coautor da lei atual que dá o incentivo fiscal a essas empresas fico feliz, porque estávamos correndo o risco de perder esses incentivos. Participei de uma audiência pública realizada aqui em Nova Friburgo e de outra no Rio de Janeiro, e também da mesa dos debates. Os deputados puderam compreender a importância da lei, e eu tenho certeza de que ela será sancionada pelo governador.”

Por falar nisso...

E já que falamos no atual superintendente do Inea, o leitor Carlos Carvalho chama atenção para a grande quantidade de árvores em nosso espaço público contaminadas com a chamada “erva de passarinho”.

Aspas (2)

“Cito como exemplo uma árvore frutífera conhecida popularmente como Uva do Pará, que fica na Avenida Galdino do Valle, após a ponte branca. Já falei com inúmeras pessoas e até agora nada. Essas ervas sugam a seiva e com pouco matam a planta. Na cidade tem muitas árvores assim, e em especial na avenida citada. Peço atenção ao poder público porque nós, moradores, somos impedidos de podar as árvores com erva de passarinho, sob pena de sermos multados e processados.”

Palestra

Nova Friburgo recebe uma visita ilustre nesta segunda-feira, 7: o acadêmico Paulo Augusto Vivacqua, ex-presidente da Academia Nacional de Engenharia.

Ele estará no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), em Conselheiro Paulino, para ministrar a palestra “Educação, soberania e recursos naturais em sociedades sustentáveis”, destinada a alunos e professores daquela instituição.

Na ocasião, Vivacqua vai abordar o papel da engenharia no desenvolvimento das sociedades, a relação entre recursos naturais, desenvolvimento sustentável e soberania.

Outro ponto importante da apresentação é a discussão da ética na engenharia já durante a formação do engenheiro.

Respostas (1)

Antes de listar os vencedores de hoje, a coluna registra as respostas certas enviadas por Johnson Mello e Rosemarie Künzel para o desafio publicado quinta-feira, 3, da escultura às margens da Via Expressa.

Respostas (2)

E a própria Rosemarie é quem abre a lista de vencedores do desafio enviado pelo leitor Wanderson Ourique, mostrando detalhe da ponte sobre o Rio Santo Antônio, na Rua Leuenroth.

Além dela, também enviaram respostas certas até o fechamento desta coluna os amigos Stenio de Oliveira Soares, Silvio Poeta, Márcia Leal Matos, Valter Silvestre da Silva e Gilberto Éboli.

Parabéns a todos!

Pergunta

Como não amar esses enquadramentos de Regina Lo Bianco?

A coluna agradece por mais este mimo enviado pela talentosa fotógrafa, perguntando aos leitores: e aí, onde nossa colaboradora fez este belo clique?

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