Quatro perfis de escola - A escola controladora (Parte 1)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Vou abordar quatro perfis de escola que se adaptam, por sua vez, aos perfis das famílias. O perfil controlador, permissivo, protetor e educador. Começamos esta semana com a escola controladora.

As relações na comunidade escolar nas escolas de perfil controlador costumam ser hostis. Estando o controle numa posição de destaque e sendo ele o elemento norteador da convivência, o diálogo conta pouco. Numa sociedade onde as pessoas estão aprendendo, mesmo a trancos e barrancos, o exercício da democracia, torna-se comum o atrito pela falta de flexibilidade do sistema imposto. Essas escolas estão conscientes de sua missão, acreditam que fazem o melhor e que possuem a verdade. Não há uma aceitação de que outros pensem de modo diferente e que poderiam contribuir com outros valores enriquecedores desse processo de convivência.

O perfil controlador é também burocrático e sonha com a organização de manuais de procedimento de modo que todos possam ser “enquadrados” e saberem, de antemão, quais as sanções para cada tipo de falta. A escola é uma engrenagem e o que se espera dela é que funcione como um relógio.

Já vivemos um tempo em que a sociedade era assim, as fábricas eram assim e a vida era esperada que fosse assim. Hoje, tudo está diferente. Quem se prepara para este tipo de sociedade do passado terá grandes dificuldades de sobrevivência no presente.

O ponto fundamental desse perfil escolar e familiar está no valor maior que se dá à vontade pessoal. Não se trata de bem comum, de melhor escolha ou atitude. Faz-se de um modo porque interessa a alguém, seja da escola ou da família. Quando a vontade pessoal sobrepuja outros valores, a exigência feita perde a razão de ser.

É exatamente aí que se ajusta uma educação democrática ou uma educação autocrática. Não há uma defesa da desordem quando se incrimina o excesso da vontade pessoal. Pergunta-se, na verdade, se a exigência é necessária e educativa. Quando algo não é necessário e é exigido por vontade pessoal, perde o valor como elemento formador numa sociedade que requer a conjugação da liberdade com a responsabilidade e alteridade.

Já estamos, portanto, dentro de uma outra instância do perfil escolar e familiar: a necessidade da exigência. Antes, muitas escolas exigiam filas para entrada e saída dos educandos. A pergunta é se a fila é necessária e é educativa. Ainda existem escolas no México, em pleno século XXI que um corneteiro toca o clarim para que os alunos façam a formatura e entrem na escola. E o México não parece ser um primor de exercício de liberdade democrática tendo saído de um regime onde um partido dominou por décadas e reúne uma série de ações contra os indígenas, sobretudo os Chiapas do sul do país.

A serenidade e o bom senso são muito mais geradores de equilíbrio e educação que o estabelecimento de normas e regras que só servem para irritar as pessoas.

O educador, mesmo o mais austero, pode ficar tranquilo porque os problemas aparecerão exigindo a intervenção e o diálogo. O modo de intervir é que definirá para que tipo de sociedade a escola ou a família estará preparando os educandos e os filhos.

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Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

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