Qual livro didático escolher?

Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

quarta-feira, 01 de novembro de 2017

Há ofertas no Brasil de uma grande variedade de livros didáticos provenientes das aquisições do próprio Ministério da Educação e dos editados por sistemas de ensino. A grande diferença está na gratuidade dos livros distribuídos pelo MEC, enquanto os demais devem ser comprados pelas prefeituras.

 Mas, diante dessas opções, por que alguns ainda querem comprar se há oferta gratuita? Vários fatores colaboram: primeiro, nem todas as prefeituras conseguem, exatamente, os livros escolhidos pelos seus docentes; segundo, mesmo sendo livros muito bons e selecionados pelo MEC, trabalhar com livros supõe uma preparação do corpo docente para compreendê-lo, organizar as aulas e distribuir exercícios, o que muitos professores não conseguem fazer, seja pela saturação do trabalho, seja pela falta de conhecimentos didáticos; terceiro, os municípios estão com os olhares voltados para os números do Ideb (o índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e já se observa uma correlação positiva entre aqueles que usam materiais de sistemas de ensino e os que usam os livros do MEC. Geralmente, os que compram materiais dos sistemas negociam a formação continuada dos professores e garantem uma organização de aulas e exercícios, o que torna mais fácil o trabalho docente e têm obtido um resultado mais elevado no Ideb.

Em resumo: quem trabalha com livros deve saber muito bem didática, saber preparar aulas, selecionar exercícios e elaborar questões de provas; quem trabalha com material dos sistemas já recebe grande parte da atividade elaborada e em função dos descritores do MEC e tem o planejamento assegurado. Portanto, se um livro não ensina ao professor a ministrar uma aula, os materiais apostilados desenvolvem bem esta parte, eis, então, a razão da procura.

A polêmica está estabelecida e tudo dependerá da disponibilidade de verba de um município para prover os materiais de que a rede necessita. Embora os números do Ideb possam não representar uma avaliação abrangente, eles conseguem fixar uma impressão positiva sobre as avaliações dos governos. Isto, na verdade, define para muitos gestores quais ações devem ser implementadas.

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