Paradigmas do profissional do século 21 - A visão global

Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Parte 1

A visão global opõe-se aos conceitos de reducionismo e segmentação. Há, com esse modo de ver e pensar, uma mudança na concepção do mundo e das coisas em transformação. A ciência da era moderna teve entraves muito sérios por causa da segmentação cartesiana, na qual o sujeito era tido como algo completamente separado do objeto. Mais tarde, com a evolução do pensamento, Immanuel Kant trouxe à baila a questão do interacionismo, em que sujeito e objeto interagiam, proporcionando outra visão científica. É nesse ponto que o pesquisador Jean Piaget, um suíço que pesquisou a questão de como o ser humano aprende, se junta a Kant e passa a perceber que a interatividade é um fato a ser considerado no processo de aprendizado.

Também no início do século 20, na Rússia, Lev Semionovitch Vigotski pensou o processo do aprender em perfeita sintonia com o meio, daí o conceito de contextualização tão falado hoje. A visão global nos diz que nada está solto no universo. Assim, ao lado de um pesquisador, há um filósofo e, junto a um produto, uma cultura. Junto a Piaget, estava Immanuel Kant; ao lado de Vigotski, Hegel e sua dialética influenciaram a visão desse judeu russo, no sentido de imaginar a interatividade do sujeito e do objeto, via conflito, como indicava o método hegeliano.

Com os novos produtos, surgem culturas que os acompanham: o liquid paper serve para apagar escritos que, mais tarde, podem receber outra tinta por cima. Quem tem cultura para isso usa para o fim proposto. Quem não tem usa o produto para escrever seu nome em várias mesas de um escritório. Escreve com um produto muito caro, denotando não conhecer, culturalmente, seu uso.

O mesmo se diz de uma caneta laser, a laser pointer, útil em conferências, seja para o conferencista, seja para a assistência, que pode indicar exatamente o ponto das transparências que faz parte da dúvida. Quem não tem essa cultura usa a caneta para mirar os olhos dos outros, sem saber que se trata de um raio laser que queima e pode lesar a vista. Na Inglaterra, isso é crime, e o infrator, se causar lesões, pode receber penas de até cinco anos de reclusão. O crime é de lesão corporal.

Como se vê, tudo está conectado. A visão do mundo é global, e essa mesma visão é que alguns chamam de holística e que integra o ser humano ao universo. Como já se percebe, pelo texto, a sociedade, a economia e a política passam a ter a visão global, como referencial e elemento balizador. Já na década de 60, em pleno século 20, Marshall McLuhan imaginava em seu livro Mutation uma sociedade interligada eletronicamente, formando o que ele mesmo chamou de “aldeia global”.

Nesse mesmo período, nos Estados Unidos, o jornalista Alvin Toffler escreve sobre as grandes vias de comunicação global, as “infovias”, dentro das quais as pessoas estariam navegando, buscando informações e conectando-se a qualquer parte. Se isso existisse no Ocidente e, sobretudo no Brasil, do imediato pós-guerra, não duraria tanto o conflito dentro da comunidade nipônica de São Paulo entre os que aceitavam a derrota do Japão e os que não a aceitavam, surgindo revistas falsas, selos falsos, grupos de matadores, chamados tokkotai e tanto trabalho para a polícia política, como bem expressa Fernando Morais em Corações Sujos.

Não é de se estranhar que, no Brasil, ainda haja muita resistência, seja porque a informática chegou atrasada, seja porque a comunicação também foi retardada, seja pelos princípios filosóficos do Positivismo que permeavam a sociedade brasileira, fazendo perdurar ditaduras com características racionais e mecanicistas. O choque econômico dessa visão passou a ser conhecido como globalização. Este termo tem origem na visão global e sistêmica das coisas e do mundo. A realidade em relação à globalização é a sua velocidade.        

Continua na próxima quarta-feira, 6 de junho

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