Paradigmas do profissional do século 21 - A relatividade do tempo

Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Do paradigma do tempo absoluto, o profissional do século 21 encontra-se com um novo conceito: o da relatividade do tempo. Tal fato quebra os padrões uniformes de consideração do trabalho, da aquisição dos conhecimentos e de várias outras realizações humanas. Se, no início do século 20, levava-se um mês para se chegar de um lugar a outro, no final, esse mesmo espaço poderia ser percorrido em poucas horas.

Os padrões mudaram e mudaram com as pessoas. Se antes, em função das máquinas, determinava-se um tempo para se fabricar alguma peça, agora, considerando-se a interação entre sujeito e objeto, pessoa e máquina, podemos ter uma peça fabricada em tempo muito menor por um empregado, e outra, em tempo um pouco maior. Essa questão de fazer tudo igual, no mesmo tempo e na mesma quantidade, passou a ser substituída por outro padrão, em que a velocidade pode ser diferente de uma pessoa para outra.

Aquilo que antigamente demandava mais tempo agora pode chegar perto da velocidade da luz. Um exemplo é a carta postada em uma agência de correio. Antes deveríamos escrevê-la, colocar no envelope, e depois, no correio, selar e pagar. O serviço que utilizava trens, caminhões e aviões transportava a carta, que, chegando finalmente à mão do carteiro, viajava  na velocidade de seus pés até o endereço desejado. Por carta, levava-se um enorme tempo, a ponto de elas não serem mais enviadas ou respondidas.

Hoje, usa-se o e-mail, o twiter e os sites sociais. Velocidade impressionante. Não há envelope, nem selo, nem estafeta. Você acaba de escrever, envia a carta e ela já está hospedada em seu destino. Assim, nessa velocidade, os cartões de Natal, virtualmente musicados, substituirão todo o esforço para se enviar algum durante as festas e esperar que ele chegue a tempo de ser lido. Com essa visão, criou-se o conceito de “aceleração” da aprendizagem e de recuperação do tempo perdido.

Consequentemente, houve aceleração na indústria, na resolução de problemas, por meio de conceitos administrativos de otimização de métodos, processos e sistemas. Com os conceitos de tempo absoluto, dizia-se dentro das escolas, por exemplo, que um aluno que não aprendera em um ano não poderia dar conta de tudo em meses ou dias. Assim, até hoje, apesar desse paradigma de tempo absoluto ser da aceitação de muitos, existem escolas e professores que não o consideram válido. Costumo dizer que estes se encontram ainda no século 17.

Para eles, o tempo é invariável, e as pessoas desenvolvem sempre a mesma velocidade, não importando a maturidade. Do mesmo modo, os conceitos de escola ciclada, muito mais ajustada às etapas de desenvolvimento da pessoa que aos conteúdos programáticos, são rejeitados. Falta às pessoas que não aceitam essas mudanças a consideração do novo paradigma de tempo relativo. A maturidade das pessoas permite, na maioria das vezes, a queima de etapas. A consideração havida pelos insights permite ultrapassar muitas etapas porque, se em uma fase da vida eram necessários todos os degraus da escada, em outra, por exemplo, bastariam alguns deles, ou então, como ocorre com os bombeiros, a escada fica de  lado e eles descem escorregando por um cano vertical para acelerar a movimentação nos atendimentos de emergência.

Já dizia o poeta Luís de Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança... Tudo muda”. Precisamos mudar e, nesse caso concreto, perceber os valores da velocidade que permitem avanços anteriormente impossíveis.

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