Afinal, o que sou?

Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Sou o que penso ou aquilo que os outros pensam de mim?

Uma consciência frágil pode se deixar dominar pelas opiniões do público e de setores da imprensa, pode se abater com a maledicência, não suportar a carga da inveja, sentir perder-se o chão do sustento e desejar sumir do mundo, quando alguma adversidade surge no dia a dia da existência. Uma consciência ingênua não acredita na crítica, nem deseja avaliar as outras opiniões. É uma consciência vendida ao tempo passado, desacreditando qualquer situação nova, apresentada na convivência profissional. O ingênuo pensa estar certo, pensa na superioridade de suas ideias, na inferioridade dos demais, e descarta todo julgamento e discernimento, como forma de manter-se, sem perceber, na perpetuidade da ingenuidade.

Uma consciência derrotada vive daquilo que os outros falam e é incapaz de ter ideias próprias, não muda coisa alguma, sua passagem pelo mundo não deixa marcas, simplesmente porque nunca teve uma posição coerente, própria, correta em relação ao seu próprio ato de pensar. Uma consciência crítica é capaz de avaliar e de corrigir as falhas de percurso, sabe de suas limitações e é capaz de impor limitações aos demais, pela consciência da existência de um território trabalhado e lavrado a duras penas e por muitos anos. A consciência crítica vive o valor do aprender continuado e adere à educação permanente. É uma consciência tranquila pelo seu alto poder de avaliação e sua forte autoconfiança.

Uma consciência livre, por fim, sabe dos rumos não pelo fato de outros falarem alguma coisa, mas porque acredita no seu ato consciente de pensar, sabe ser esse pensamento livre e tranquilizador. A consciência livre é formada no tempo, forjada através de lutas, capazes de ensinar caminhos que só a vivência conhece, mesmo que seja temperada pela lágrima e tristeza. Sou o que penso, não aquilo que os outros pensam de mim! Portanto, vivo a liberdade, embora curta seu preço, no avesso do meu ser.

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