Frutos da Verdade

Dom Edney Gouvêa Mattoso

A Voz do Pastor

Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo, o bispo diocesano da cidade, Dom Edney Gouvêa Mattoso, assina a coluna A Voz do Pastor, todas as terças, no A VOZ DA SERRA.

terça-feira, 13 de março de 2018

Caros amigos, neste tempo quaresmal somos convidados a ouvir mais atentamente a voz de Deus e, à luz da Verdade testemunhada por Cristo, buscar mais intensamente a conversão dos nossos corações.

É necessário crescer na consciência de que o nosso modo de viver é instrumento de transformação do mundo em que vivemos. “A natureza social do homem torna claro que o progresso da pessoa humana e o desenvolvimento da própria sociedade estão em mútua dependência” (Gaudium et spes, 25). Somos impelidos, pela prática da verdade e pela conversão do coração, a extinguir da face da terra o escândalo da divisão e da injustiça. Construiremos um mundo mais humano, quando toda a nossa vida estiver orientada para a Verdade.

Infelizmente, no anseio de construir um mundo melhor, muitos se deixam fascinar por visões utópicas e ideológicas. Estas, simplificam de forma artificiosa a realidade a fim de impor os ideais de um pequeno grupo como verdade absoluta para toda a humanidade.

A história atesta o perigo imposto pelas ideologias. No século passado, famílias e comunidades inteiras foram levadas à exploração e à morte quando sistemas ideológicos e políticos mistificaram de forma programada a verdade. Guerras foram travadas por interesses econômicos de algumas nações, ou mesmo pela sede de poder e supremacia. Hoje, ainda muitos sofrem com a violência e com a miséria, frutos da corrupção profundamente radicada nos governos, empresas e instituições a serviço de interesses pessoais.

Sob a luz da Verdade, a dignidade humana se sobrepõe a qualquer flutuação de opinião. O homem toma consciência de que é alvo do amor de Deus, e de que o próximo é seu irmão e membro da grande família humana. É rejeitada toda e qualquer espécie de servidão, a qual tem a sua última origem no pecado, gerador de injustiças, violências e exploração. Os talentos pessoais são compreendidos como dons e, por conseguinte, expressão de gratidão a Deus no serviço aos irmãos. Portanto, assumem que são, antes de mais nada, instrumentos de Deus e revestem de caridade todo o nosso agir. (cfr. Gaudium et spes, 41).

Toda ação humana iluminada pelo testemunho de Jesus Cristo torna possível o pleno desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira (cfr. Caritas in veritate, 1). Somente unida à Verdade a prática da caridade ultrapassa o mero assistencialismo que conforta a consciência.

Deste modo, “a atividade caritativa cristã deve ser independente de partidos e ideologias. Não é um meio para mudar o mundo de maneira ideológica, nem está ao serviço de estratégias mundanas, mas é atualização aqui e agora daquele amor de que o homem sempre tem necessidade” (Deus caritas est, 31) e do qual é devedor.

No diálogo com Nicodemos, Jesus ensina que todo aquele que nele crê – e, por isso, age conforme a Verdade – aproxima-se da luz e torna manifesto que suas ações são realizadas em Deus (cfr. Jo 3, 14-21). Contudo, agir fora da verdade é afastar-se de Deus e deixar-se guiar pelo pecado (cfr Rm 7,19-20).

O coração humano iluminado pela fé faz reverberar a luz da Verdade e da caridade a toda a realidade humana. Logo, não são as ideologias, movimentos sociais ou sistemas econômicos que devolverão a paz e a harmonia ao Homem e ao mundo criado. Mas sim, a fé em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta, que produzirá no Homem frutos de conversão e na sociedade, genuína transformação.

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