Confiança em Deus

Dom Edney Gouvêa Mattoso

A Voz do Pastor

Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo, o bispo diocesano da cidade, Dom Edney Gouvêa Mattoso, assina a coluna A Voz do Pastor, todas as terças, no A VOZ DA SERRA.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Caros amigos, continuamos nossa reflexão sobre o tema da santidade,
motivados pela Exortação Apostólica Gaudete et exsultate. O chamado à
santidade é um ato livre e amoroso de Deus à toda humanidade. Cabe ao
homem, no uso pleno de sua liberdade e auxiliado pela graça divina, responder
a este projeto de felicidade. Como filhos, somos chamados a moldar a vida
segundo o exemplo e as palavras do próprio Deus feito homem, e não mais
pelos desejos da carne e pelas paixões do mundo.
São Pedro, em sua primeira carta, recorda o texto levítico - “Sede Santos,
porque eu sou santo” (Lv 11,44) – ao exortar a comunidade primitiva à vida
santa, digna da condição de cristãos (cf. 1Pe 1,13–2,10). Este imperativo
arroga sobre o homem uma grande responsabilidade.
O Papa Francisco aponta as bem-aventuranças como a essência da santidade.
Diz que para ser um bom cristão, para ser santo, “é necessário fazer – cada
qual a seu modo – aquilo que Jesus disseno sermão das bem-aventuranças”
(Gaudete et exsultate, 63).
Mas, ao olharmos para nossa natureza ferida pelo pecado, inclinada para o mal
e para a morte, somos tentados ao desânimo por não possuirmos forças
suficientes para cumprirmos esta meta de santidade. Pensar assim é ser, na
prática, pelagiano.
Ao reconhecer nossas limitações, a postura que devemos ter é de colocarmos
toda nossa confiança em Deus. Só podemos viver os ensinamentos de Jesus
“se o Espírito Santo nos permear com toda a sua força e nos libertar da
fraqueza do egoísmo, da preguiça, do orgulho” (idem, 65).
São encorajadoras as palavras de Santa Teresa de Calcutá aludidas pelo
Papa: “sim, tenho muitas fraquezas humanas, muitas misérias humanas. (...)
Mas Ele abaixa-Se e serve-Se de nós, de ti e de mim, para sermos o seu amor
e a sua compaixão no mundo, apesar dos nossos pecados, apesar das nossas
misérias e defeitos. Ele depende de nós para amar o mundo e demonstrar-lhe
o muito que o ama”.
Diante disso, não podemos nos acomodar, viver uma vida de tranquilidades.
Ser santo é nadar contra a corrente; exige radicalidade! Ser santo é ser luz
para iluminar as trevas de uma sociedade medíocre, enredada numa trama
política doente e que estorva a dignidade humana e o bem comum; é ser sal
para dar sabor a um mundo que no interesse de satisfações nega o valor da
cruz de Cristo, dissimulando a própria realidade (cf. idem 90-92).
“Onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração” (Mt 6,21). O
catecismo da Igreja Católica afirma que a Bem-aventurança prometida por
Deus nos coloca perante as opções morais decisivas. É preciso conhecer a
verdade do nosso coração, purifica-lo e procurar o amor de Deus acima de
tudo (cf. Catecismo, 1723).

A verdadeira felicidade não está no bem-estar, no poder ou no acúmulo de
riquezas. “Quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que
não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar
das coisas mais importantes da vida” (Gaudete et exsultate, 68).
A mensagem evangélica das bem-aventuranças nos convida a olharmos para
nós mesmos, com os defeitos e as limitações próprios da condição humana, e
a reconhecermos que em nossa fraqueza age a graça de Deus. “Porque,
quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).

 

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